quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Como vencer a fobia social

O distúrbio prejudica os relacionamentos e limita a vida de seus portadores. Mas aos poucos é possível superá-lo


Quem tem fobia social sente medo do mundo e vê a vida passar

A fobia social é um medo irracional de situações sociais, incluindo ser julgado ou analisado por outras pessoas. 
Medo exagerado de falar a uma plateia, de conceder uma entrevista, de comer sozinho num shopping ou de preencher um cheque diante de outra pessoa, por exemplo, são características comuns da condição. Os prejuízos podem ser numerosos. Basta pensar no sujeito que necessita conduzir reuniões no trabalho ou expor seminários na faculdade. Há quem desista do emprego, dos estudos, prefira a reclusão.
O psicólogo Gildo Angelotti, diretor-executivo do Instituto de Neurociência e Comportamento de São Paulo, explica que existe uma diferença essencial entre timidez e fobia social. “O tímido, apesar de ser assim, quer participar, interagir. O fóbico, não. Ele se sente ameaçado.”
Fóbicos sociais temem não o outro, mas a avaliação do outro. “Ficam ansiosos, têm sintomas físicos de ansiedade”, observa o psiquiatra Geraldo Possendoro, professor do curso de especialização em medicina comportamental da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo). Dentre sintomas de que ele fala, e que se manifestam nas outras fobias além da social, estão taquicardia, transpiração excessiva, tremor, respiração ofegante.
Medo x Fobia
Não há nada de errado com o medo em si. Trata-se de uma emoção fundamental: nós vingamos como espécie porque sentimos medo. Se ele não existisse, estaríamos sempre nos submetendo a riscos, em circunstâncias que talvez custassem nossa sobrevivência e evolução. Em doses exacerbadas, contudo, ele passa a ser restritivo. É a fobia. Que pode desencadear ataques de ansiedade.

Origem e Tratamentos
O psiquiatra Geraldo Possendoro considera que as fobias específicas usualmente têm origem em traumas. Embora nem sempre de infância, é nessa fase da vida que costumam acontecer. A agorafobia (que, no limite, faz o fóbico deixar de sair de casa, com medo de crises), ele avalia, quase sempre está associada a crises de pânico. Já para fobia social o médico entende que as causas são mais difusas. “Pode ser que haja uma vulnerabilidade biológica, pode ser genético. Na minha avaliação, vejo que a maioria dessas pessoas foram muito desqualificadas na infância, em relações de pouco afeto.”
O tratamento das fobias varia, assim como a duração. Especialistas recomendam terapia, por meio da qual o paciente, no seu ritmo próprio e adequado, passa por um processo de enfrentamento. Em certos casos, receitam-se medicamentos. Sempre de acordo com o estabelecimento de um diagnóstico, com critérios técnicos. Se a pessoa tiver, de fato, fobia – se há esquiva de situações, limitação, perdas, um transtorno de ansiedade –, então já não está se falando daquele medo indispensável à vida.
A Biblioteca Nacional de Medicina dos Estados Unidos sugere as seguintes alternativas para lidar com o transtorno:
- Fazer terapia cognitivo-comportamental para ajudar a identificar as causas de tais temores e aprender maneiras de controlá-los.
- Começar, lentamente, a participar de festas e outras reuniões sociais.
- Praticar as experiências sociais em um ambiente de terapia de grupo.
- Dormir bem e praticar atividade física, bem como fazer refeições em horários regulares.
- Evitar ou limitar a cafeína e medicamentos estimulantes.
+ Saúde agradece aos leitores e até a próxima .

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